Síndrome do Ovário Poliquístico e gravidez? Sim é possível!

Muitas mulheres e muitos casais questionam se é possível engravidar após um diagnóstico de Síndrome do Ovário Poliquístico (SOP). As dúvidas e as angústias são legítimas. Afinal, esta síndrome pode afetar a fertilidade da mulher. Mas, tal não significa o fim do sonho da maternidade. Com o tratamento e o acompanhamento médico adequado é possível engravidar.

A SOP afeta entre 10% a 15% das mulheres em idade fértil, com maior impacto nas que sofrem de excesso de peso ou de obesidade. É uma patologia complexa que pode ser identificada através de um conjunto de sinais e sintomas, causados pelo desequilíbrio hormonal dos ovários.

A maioria das mulheres diagnosticadas com SOP (cerca de 70 a 80%), sofre de alterações no ciclo menstrual, nomeadamente ciclos menstruais longos, ausência de menstruação ou de ovulação. Outro dos indícios desta síndrome é o hiperandrogenismo, que se manifesta através de alguns sinais visíveis como o crescimento de pelos em zonas mais comuns aos homens, o aparecimento de acne grave e alopecia.

Como já referi, a infertilidade é uma das possíveis consequências da SOP: estima-se que cerca de 70% das mulheres diagnosticadas com esta síndrome têm dificuldade em engravidar, condição que poderá ser agravada, se a doente sofrer de excesso de peso. Portanto, se a mulher apresenta excesso de peso, o primeiro passo é perder peso.

Apesar de não existir uma cura para a SOP, a doença pode ser tratada e controlada. É recomendada a prática de um estilo de vida saudável, através de uma dieta equilibrada, não só para controlar o peso, como para prevenir doenças cardiovasculares e diabetes, uma vez que estas mulheres são mais suscetíveis a estas patologias. A atividade física moderada também é importante porque pode ajudar a regular os ciclos menstruais.

O diagnóstico precoce e o acompanhamento médico especializado e multidisciplinar são fundamentais, com vista a encontrar o tratamento adequado a facilitar uma gravidez e evitar complicações na gestação. Este diagnóstico carece de uma análise específica que permite determinar a presença desta patologia. No entanto, se a paciente apresenta alterações ao ciclo menstrual, o profissional de saúde deverá complementar o diagnóstico através da avaliação da história clínica e dos sinais e sintomas que a mulher tem.

A realização de uma ecografia ginecológica transvaginal no início do ciclo menstrual é um exame importante para o diagnóstico desta síndrome, pois permitirá observar as características próprias dos ovários poliquísticos como a dimensão dos ovários, o número de folículos e se há o crescimento de um folículo dominante. Simultaneamente, o médico especialista deverá estar alerta para os níveis hormonais de androgénios, e ainda solicitar uma análise sanguínea hormonal para efeitos de controlo dos níveis do colesterol, dos triglicéridos e da resistência à insulina.

Feito o diagnóstico, e no caso de ser necessária ajuda médica para engravidar, o tratamento será aquele que for mais indicado para cada paciente. Em algumas mulheres pode ser necessário induzir a ovulação recorrendo a medicação que estimula o crescimento do folículo até à ovulação, o que requer controlo ecográfico. Se após algumas tentativas de indução de ovulação, não acontecer a desejada gravidez, ou se não se obtiver uma resposta ovárica adequada, pode haver necessidade de recorrer à fertilização in vitro onde é possível aumentar a probabilidade de uma gravidez e avaliar a qualidade dos óvulos e embriões.

Como nota final, relembro que as mulheres com SOP, quando engravidam, têm um risco aumentado de sofrer de hipertensão arterial e diabetes durante a gestação. Por isso, para salvaguardar a saúde da mãe e do feto, é muito importante que sigam as recomendações do profissional de saúde de forma a evitar complicações na gravidez e após o parto.

Catarina Godinho, ginecologista e especialista em Medicina da Reprodução na Clínica IVI