22 Abr. 2026
Eu não sou a adenomiose, nem a infertilidade
Testemunho anónimo
Tenho 35 anos, adenomiose e enfrento problemas de fertilidade.
Estou a tentar engravidar há mais de um ano e já passei por uma FIV sem sucesso.
Desde a minha primeira menstruação, as dores deste processo são para lá de indescritíveis. Comecei a tomar a pílula para fugir daquilo que era uma tortura mensal, foi a única solução que me foi apresentada. Parei a medicação há dois anos e, a cada ciclo sem pílula, as dores intensificavam-se até atingirem contornos inqualificáveis.
Aos 34 anos recebi o diagnóstico: adenomiose. A resposta foi também direta: “muito dificilmente terás uma gravidez natural; sugiro avançar para FIV.” No espaço de um ano, a gravidez natural não aconteceu. Avançámos para FIV.
A punção foi um processo doloroso, tendo em conta o quadro de adenomiose, e demorei dias a recuperar. Conseguimos dois embriões e realizámos uma transferência - sem sucesso. A primeira menstruação após o processo levou-me ao hospital.
Tenho acompanhamento nutricional adequado à adenomiose. Cumpro a suplementação. Faço tudo o que me cabe fazer. As minhas análises estão bem, mas não tem sido suficiente para gerar resultados.
Todo este processo decorre no setor privado, uma vez que estávamos em lista de espera para acompanhamento no CIRMA, encaminhados pela médica de família.
Fomos, entretanto, chamados para a primeira consulta, que consistiu no registo do processo e no pedido de análises e exames. Agora aguardamos ser chamados para o início de um novo percurso, possivelmente só em fevereiro de 2026.
Este é um caminho movido pelo desejo de gerar. Um desejo que já tem um ano e meio.
Eu não sou a adenomiose, nem sou a infertilidade. Mas elas são parte daquilo que eu sou.